domingo, 31 de julho de 2011

'Inexperience,' repeated Margaret, in  serious yet buoyant tones. 'Of course, I have everything to learn -- absolutely everything -- just as much as Helen. Life's very difficult and full of surprises. At all events, I've got as far as that. To be humble and kind, to go straight ahead, to love people rather than pity them, to remember the submerged -- well, one can't do all these things at once, worse luck, because they're so contradictory. It's then that proportion comes in -- to live by proportion. Don't begin with proportion. Only prigs do that. ...

E.M. Forster, "Howards End" 
Several days passed.
Was Mrs Wilcox one of the unsatisfactory people - there are many of them - who dangle intimacy and then withdraw it? They evoke our interests and affections, and keep the life of the spirit dawdling round them. Then they withdraw. When physical passion is involved, there is a definite name for such behaviour -- flirting -- and if carried far enough it is punishable by law. But no law -- not public opinion even -- punishes those who coquette with friendship, though the dull ache that they inflict, the sense of misdirected effort and exhaustion, may be as intolerable.
- E.M. Forster, "Howards End" 

Isto é tão verdade. Acho que todos nós já nos vimos numa situação parecida: conhecemos alguém que será um amigo fabuloso, alguém que a princípio está sempre lá e nos alicia mas que, de repente, desaparece. E eu não sou santa nenhuma. Tenho a certeza que inconscientemente já o fiz. É daqueles comportamentos meus que não consigo explicar, mas este não é um blogue pessoal.

sábado, 30 de julho de 2011

A Hapless Fugitive


She left the palace and went along the banks of the Seine to Chaillot, where she knocked at the door of a small convent kept by some poor nuns. They admitted her to the outside parlour, and there she collapsed, worn out with fatigue, cold, and misery. As the sun rose over the palace, the huge whisper of gossip, hardly silent at night, grew louder and louder. At last the King heard the name Louise in a passing conversation.
"What is it? Tell me!" he commanded.
"Sire, they say she has taken the vows at the Convent of Chaillot," replied the frightened courtiers.
Louis said not a word, but turned on his heel, mounted a horse, and galloped to the convent.
He was admitted to the parlour where lay his lovely Louise on the floor, her whole body shaken with sobs. After much persuasion, she told what she would have hidden from him, and Louis ordered her a carriage for the return to Paris. Neither the Duke nor the Duchess of Orleans would have her back.
At length, however, the Duchess yielded to Louis's commands, his entreaties, his threats, and his tears, and Louise returned to the Tuileries.



Fonte: Chest of Books

"Love and Louis XIV", Antonia Fraser

O meu interesse sobre a vida amorosa de Louis XIV surgiu ao ler a saga dos Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, particularmente os volumes Vicomte de Bragelonne e Louise de la Valliére. Sobretudo o último. Louis surge-nos como um rapaz lindíssimo de caracóis loiros, que passou grande parte da infância em condições algo pobres devido às contenções do cardeal Mazarin (que se diz ter sido amante de sua mãe, Ana de Áustria). Após a morte de Mazarin, Louis começa a dar os primeiros passos no caminho para a grandeza até chegar à imagem que hoje temos dele. Mas aquilo de que não nos podemos esquecer é que um rapaz é sempre um rapaz. E todos os rapazes têm o seu primeiro amor. Segundo Dumas, esse primeiro amor "verdadeiro" não é a sua mulher, Marie-Thérèse,, mas Louise de la Valliére, sua aia. No romance, Louise já se encontrava comprometida com o Visconde de Bragelonne, filho de Athos, mas não consegue negar o que sente pelo Rei. Cria-se um triângulo amoroso no qual o pobre Visconde de nada suspeita até apanhar a sua prometida em flagrante. Mas as cenas relativas a Louis e Louise são de uma pureza e beleza tal que não pude conter a curiosidade de descobrir se realmente tinha sido assim. E eis que surgiu Love and Louis XIV, de Antonia Fraser (autora da famosa biografia de Marie Antoinette que deu origem ao filme de Sofia Coppola).





Como o meu principal interesse era Louise de la Valliére, peço desde já desculpa se este texto se focar demasiado nela.

Em primeiro lugar, descobri que o primeiro interesse amoroso de Louis fora ainda nos seus tempos de solteiro: Marie Mancini, sobrinha do cardeal Mazarin (e algum interesse pela irmã desta, Olympe, devido à sua inteligência). Sendo o próprio cardeal contra a união, Louis acabou por se casar com Marie-Thérèse da Áustria, julgo que sua prima. Nos primeiros anos tudo correra bem, com relatórios de uma vida sexual bastante acesa. Contudo, eis que chega à corte Henrietta-Maria, irmã de Charles II de Inglaterra, para se casar com o irmão de Louis, Philippe d'Órleans. Henrietta-Maria era, segundo dizem, uma mulher belíssima e alegre, que atraía naturalmente as atenções para si. Isto não escapou a Louis. Juntos iniciaram um affair sobretudo baseado em galanterias inocentes - o que poderia, contudo, ter consequências desastrosas fosse descoberto. Para evitar a tragédia, o par concebeu um plano para se poder encontrar sem levantar suspeitas: Louis fingir-se-ia interessado por uma das damas de companhia de Henrietta. Isto justificaria quaisquer deslocações aos apartamentos de Henrietta. A rapariga escolhida, alheia a tudo, foi Louise Françoise de la Baume le Blanc de la Vallière, descrita pelos seus contemporâneos como simples, ligeiramente coxa devido a um acidente ocorrido na sua infância (aliás descrito por Dumas), muito loira mas, apesar de tudo, nada desagradável à vista. 

Era uma excelente cavaleira e tinha gosto pela caça, características extremamente propícias a atrair a atenção de Louis. Mas não foi isto que o cativou: foi a sua inocência, o vê-la apaixonada não pela Coroa mas pelo rapaz que ele ainda era. Após muita insistência da parte de Louis (e resistência pela parte de Louise, que era extremamente devota) o par finalmente consumou o seu amor, amor esse que durou bastante tempo e produziu seis filhos, dos quais sobreviveram apenas dois (a rapariga, Marie Anne de Bourbon, tornar-se-ia a favorita de todos os filhos de Louis). Louise foi eventualmente substituída por Athenaïs de Montespan, uma rapariga inteligente e extremamente atraente, com a qual se diz Louis ter vivido a fase mais sexual da sua vida. Consumida pelo desgosto e pelo pecado do seu amor, Louise entrou para um convento.

Fiquei muito satisfeita ao ver que Dumas não exagerara nos sentimentos de Louis por Louise e vice-versa. Um dos meus episódios favoritos aconteceu, de facto. Ainda nos primeiros anos do seu romance, Louise começara a ser vítima das intrigas da corte: Fouquet pretendeu chantageá-la, o que Louis entendeu como um avanço amoroso, mas o que realmente causou a primeira crise entre o casal foi a teimosia de Louise em não revelar ao seu amante nenhum detalhe do caso amoroso entre Henrietta-Maria e o Conde de Guiche. Destroçada, Louise fugiu para um convento. Ao saber disso Louis, interrompendo toda a sua agenda na corte, vestiu um manto para esconder o rosto, montou um cavalo e foi a toda a brida ter com a sua amada. Se isto não é terrivelmente romântico, então não sei. 

Pode-se dizer que foi o crescimento da grandeza de Louis que os separou. Afinal, Louis tornou-se absoluto, o que o distanciava tremendamente da imagem de rapaz que Louise amava. Com o poder, a grandeza, a magnificência, vem tudo: hordes de pessoas dispostas a viver em sótãos esquálidos apenas para estar perto do Rei e, inevitavelmente, mulheres. Todas as mulheres que um homem possa desejar. Neste caso específico, Athenaïs de Montespan também se soube aproveitar um pouco da situação mas, forma geral, penso ter sido isso que aconteceu: a relação com Louise já estava morna, o seu poder aumentou, apareceu alguém atraente e disponível (Athenaïs era casada, mas isso na altura era relativo - embora tenham ocorrido alguns episódios bastante engraçados com o seu marido) e as coisas aconteceram.

Tudo isto está no livro de Antonia Fraser. Tudo isto e muito mais. Desde a relação com a sua mãe, Ana de Áustria, ao primeiro amor por Marie Mancini; desde o primeiro compromisso sério com Louise até ao desenfreio sexual com Montespan, acabando pela paz e calma da sua última relação (e suspeita-se que segundo casamento) com Madame de Maintenon (sarcasticamente apelidada de Madame de Maintenant). Fora das linhas gerais, Antonia Fraser deleita-nos com todas as pequenas intrigas que circulavam na corte da época, incluindo o infame caso dos venenos no qual Athenaïs esteve alegadamente implicada. É uma biografia extensa, claro; mas traz-nos não Louis XIV, o magnânimo, o Rei-Sol mas sim Louis, o homem, e os seus problemas domésticos. O único ponto negativo é a insistência em descrições como se a autora lá estivesse, coisas que é impossível qualquer um de nós saber: que certa pessoa respondeu apressadamente, ou que corou ao fazer vénia. Uma coisa é certa, contudo: tudo o que está documentado, está-o muitíssimo bem feito.  Já aumentei consideravelmente a minha wishlist devido a isso mesmo (incluindo o The Affair of the Poisons, de Anne Somerset, que já deve vir a caminho!). 

Um livro que recomendo com todo o gosto àqueles que se interessam pelas histórias dentro da História (e por uma boa história de amor na vida real).


"Life in a Victorian Workhouse"

Sempre tive curiosidade em ler algo mais sobre as workhouses da época Vitoriana, mas nunca soube muito bem por onde começar. Encontrei na Foyle's exactamente o que precisava: um livrinho pequeno, tipo introdutório, não só às workhouses em si como também às diversas Poor Laws e a pequenas descrições de como seria a vida nas instituições.

As workhouses foram implementadas após a aprovação da New Poor Law, em 1834, que terminava com os apoios paroquiais à crescente população pobre e procurava uma nova solução: algum sítio onde os pobres tivessem o mínimo conforto e qualidade de vida para que se sentissem estimulados a procurar trabalho fora de muros. A ideia parece desumana - a realidade era-o muito mais. Alimentação esparsa, condições de trabalho muito duras (os chamados able-bodied men passavam os dias a partir pedra, entre outros trabalhos duros), famílias separadas (só as crianças abaixo dos três anos de idade podiam permanecer com os pais), nenhuma higiene e zero apoio médico. Estas instituições geraram especial interesse por parte dos escritores e críticos sociais da época, que se chegavam a disfarçar de mendigos para testemunharem pessoalmente o que apenas tinham ouvido. Claro que, ao longo dos anos, algumas condições foram sendo melhoradas, sobretudo no campo da alimentação e saúde - neste último campo graças a campanhas de enfermeiras como, por exemplo, Florence Nightingale. Mas, para quem lá vivia, e embora proporcionassem um tecto e comida que talvez vivendo fora dela não teria, sempre foi um símbolo de humilhação.


O livro fala ainda (sempre de forma concisa) de como as workhouses foram desaparecendo e o que é feito de alguns dos edifícios. Curioso saber que alguns foram convertidos em apartamentos de luxo: o livro termina com a pergunta "O que pensariam os que aqui viveram presos se vissem agora a quantia que as pessoas pagam simplesmente para viver isoladas do mundo?".

O site Workhouses.org.uk fornece imensa informação e referências bibliográficas para quem pretenda aprofundar conhecimentos. Destaco a secção "Then & Now" que fornece fotografias de como eram as workhouses e como são hoje.

(Comentário parvo: de fora, os edifícios até eram bonitos).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Encontrada possível inspiração de Shakespeare para Ophelia

Segundo alguns historiadores, um relatório datado de 1569 que descreve a morte por afogamento de uma jovem rapariga ao colher flores poderá ter servido de inspiração para a trágica personagem de Hamlet, Ophelia. Jane Shaxspere, que pode ter sido inclusivé familiar do poeta, vivia a apenas a 30km da casa onde este passara a infância.




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terça-feira, 19 de julho de 2011

Resultados

Meu dito, meu feito! Aqui estão os resultados! Alguns são versões mini de "personagens" pertencentes à minha outra faceta. Fazer isto é tão viciante como esponjas.